Concerto para piano para a mão esquerda (Ravel)
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O
Concerto para piano para a mão esquerda em Ré Maior foi composto por
Maurice Ravel entre 1929 e 1930.
Foi executado pela primeira vez em
Viena em
5 de janeiro de
1932, por
Paul Wittgenstein, e foi ainda este perseverante pianista quem o apresentou pela primeira vez em
Paris, a
17 de janeiro de
1933, sob a regência de Ravel.
[editar] O motivo da composição
Foi composto, quase como um desafio, para o eminente pianista austríaco
Paul Wittgenstein, que tinha perdido o braço direito num combate durante a
Primeira Guerra Mundial e cuja carreira parecia terminada. Contudo, Wittgenstein, com admirável coragem, recusou conformar-se com o fato, e escreveu a vários compositores, pedindo-lhes que escrevessem músicas que ele pudesse tocar em tais circunstâncias. Por essa ocasião,
Maurice Ravel achava-se ocupado com a composição de um concerto para piano (para duas mãos): o em sol maior.
Contudo, movido, pelo apelo, e cedendo ao seu amor inato pela experimentação e pelo incomum, Ravel ficou enormemente fascinado por esta prova técnica. Sem suspender a composição do outro concerto, pôs-se sem tardança a trabalhar a fim de escrever algo que pudesse atender às necessidades do pianista tão gravemente sacrificado.
[editar] A estrutura do concerto
Ao tempo da composição ainda estava sob a sedução do
jazz que Ravel ouvira em vários lugares de diversões noturnas no
Harlem e em
Greenwich Village. Assim sendo, não é de surpreender que, nesse concerto, nos deparemos com temas e ritmos de jazz procurando, insolentemente, vir à tona.
Embora seja em um único movimento, o concerto para a mão esquerda não deixa de estar dividido em três partes facilmente reconhecíveis.
É a
orquestra, só, que faz, no começo do
concerto, toda a exposição temática daquilo que irá sobrevir, tendo as primeiras páginas abri caminho por intermédio do
contrafagote e demais sopros, seguidos pelos metais e violinos. A entrada do piano toma a forma de uma
cadenza aprimorada e brilhante, seguida de passagens onde o instrumento solista alterna com a orquestra.
Segue-se um breve
andante no qual o piano acompanha melancólica melodia cantada pelo
corne-inglês.
Sucede a este episódio uma espécie de
tarantela que, por sua vez, dá lugar a uma
cadenza final na qual Ravel não tem pena do pianista. A obra acaba quando o pianista e a orquestra travam nova batalha numa breve
coda de grande brilho.