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[aStro-LáBio]°² = [diáRio de boRdo]°²

o tempo de uma gaveta aberta
é o tempo de uso de uma gaveta aberta
é o tempo de uma gaveta em uso
agora fechada a gaveta guarda
o tempo para trás levou
e não volta mais: voou





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érica zíngano | francine jallageas | ícaro lira | lucas parente

terça-feira, 17 de agosto de 2010

post do futuro

estou planejando um post com : algumas fotos - tiradas antes. e um texto - feito na hora.

filosofia de cama

ó!

ficar doente só não é pior
do que ficar sem dente!

ecos da plateia


queridos,

o poeta josé paulo diz que se sente muito feliz 
com a revista, quer dizer, almanaque
porque sabe que o lobisomem
mesmo sendo uma recuperação transgênica 
do frankstein que ele pensava como imagem 
do homem moderno é uma imagem paradigmática 
para a inserção e introspecção do homem contemporâneo

"essa recuperação
do trans-humano
é muito pertinente
nos dias de hoje
felicidades
ah,
e não deixem de dançar"

abs, paes

já o jurado pedro de lara deu 3 grandes buzinadas
em comemoração ao festivo/cabalístico/nascimento:

no critério de impactação, magnitude e vislumbre, 
a revista vai muito bem
no que concerne o estrondo, a megalomania e o delírio 
a revista vai muito bem também
ou seja, não tenho do que reclamar, 
porque a revista vai sempre muito bem obrigada,

- vai uma dancinha pra animar a plateia?

dona grete maravilha, desculpem, elke maravilha
disse que esse vermelho é tendência
e já mostrou pra manicure 
a cor da estação é vermelho 
TOMATE

puro delírio púrpura
puro sangue
desejo de boca aberta 
dentes à flor da pele
mastiga mais forte
que eu gosto
vem homem peludo das alturas
vem do hemisfério norte
vai 
tony ramos que esse papel não é pra você
vem poeta lobo homem 
mistura tudo
lobisomem
e vem
vermelho paixão
selvagem
sedução

(eh, desculpem os arroubos,
ela ficou um pouco exaltada, 
tamanho jorro de vermelho 
sobre a tela branca)

sem mais para notícias do mundo literário
damos então  3 salvas  vivas de palma
para essa que já é o frescor quente, quentíssimo
das nossas letras literárias
durante a estação

aÊêÊÊêÊêêê

bez

almanaque lobisomem

Respeitável público,

o Excelso Pretório, doravante denominado Conselho da Licantropia, sempre chama a si a colmatagem e superação das lacunas, omissões e imperfeições da norma fundamental, isto é: no último conclave do referido Conselho, realizado a bordo da Nau Abelardo Barbosa, o Ilustríssimo Senhor Presidente da presente instituição, o Coringa, abroquelou que, com espia no referido precedente, plenamente afincado, de modo consuetudinário, por entendimento turmário iterativo e remansoso, e com amplo supedâneo na Carta Política assinada pelos demais componentes de tão idôneo Conselho, a saber: Macunaíma, Chacrinha, Woody Woodpecker, Goober, O Coringa, François Villon, Ed Wood, Adam Worth, Didi Mocó Sonrisal Nevalgino Mufungo, Lemmy Kilmister, Hélio Oiticica, Hans Arp, Allen Ginsberg, Fantomas, Nhá Barbina, Bento Carneiro, Ludwig van Beethoven, Mefistófeles, entre outros, os quais não preceituam garantia ao cotencioso nem absoluta nem ilimitada, padecendo ao revés dos temperamentos constritores limados pela dicção do legislador infraconstitucional, resulta de meridiana clareza que ALMANAQUELOBISOMEM finalmente estará à disposição para download no link


à meia-noite, ao raiar da Lua Cheia desta exordial sexta-feira 13 de agosto de 2010.

Sem mais,

Os Editores



Os meliantes

ADBUSTERS + ALBERTO MARTINS + ALFRED DÖBLIN + ANDRÉ FERNANDES + ANDRÉA CATRÓPA + ANNE SEXTON + ARNALDO ANTUNES + AVELINO DE ARAUJO + BANKSY + CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE + CARLOS MARIGHELLA + CHRISTIAN MORGENSTERN + CORINGA + DIEGO DE SOUSA + DIEGO VINHAS + DINIZ GONÇALVES JÚNIOR + DIRCEU VILLA + EDUARDO GALEANO + E.E. CUMMINGS + ÉRICA ZÍNGANO + FABIANO CALIXTO + FABIO CAMARNEIRO + FABRÍCIO CORSALETTI + FABRÍCIO MARQUES + FERNANDA SERRA AZUL + FLÁVIO RODRIGO PENTEADO + FLORA ASSUMPÇÃO + GABRIEL PEDROSA + HEINRICH BÖLL + HELIO NERI + HERIBERTO YÉPEZ +HERSCHEL PINKUS YERUCHAM KRUSTOFSKI + JEAN STAROBINSKI + JOHN ASHBERY + JOHN ZERZAN + JIM MORRISON + JULIANA AMATO + JULIANA MARKS + JÚLIO BARROSO + KAREN REVISITED + LAURA WITTNER + LAURIE ANDERSON + LEANDRO RODRIGUES + LEDUSHA + LEONARDO MARTINELLI + LETÍCIA COSTA + LILIAN AQUINO + MARCELLO VITORINO + MARCELO FERREIRA DE OLIVEIRA + MARCELO MONTENEGRO + MARCELO SAHEA + MÁRCIO-ANDRÉ + MARIANO MAROVATTO + MARÍLIA GARCIA + MÁRIO BORTOLOTTO + MARIO SAGAYAMA + MARCO BUTI + NICK DRAKE + NICOLAS BEHR + NÍCOLLAS RANIERI + PABLO ORTELLADO + PAULO RODRIGUES + PAULO STOCKER + PATRÍCIA AUGUSTA CORRÊA + PEDRO GALÉ + PRISCILA MANHÃES + QORPO-SANTO + RENAN NUERNBERGER + R. PONTS + RICARDO DOMENECK + RICARDO SILVEIRA + ROBERTO BOLAÑO + RODRIGO LOBO DAMASCENO + ROGÉRIO SGANZERLA + SAPATEIRO SILVA + SÉRGIO RAIMONDI + SYLVIA BEIRUTE + THAIS MONTEIRO + THE BEATLES + TIAGO PINHEIRO + TOM VIOLENCE + TOM WAITS + WILLIAM SHAKESPEARE + ZHÔ BERTHOLINI




Para quem não viu os filmes promocionais da revista, aqui:




+

A arte que a gente acredita (contrapoética):







O Almanaque Lobisomem é feito por brancos, pretos, amarelos, índios, mestiços, mulatos, cafuzos, pardos, mamelucos, sararás, crilouros, guaranisseis, judárabes, orientupis, ameriquítalos, lusonipos, caboclos, iberibárbaros, indociaganagôs, tupinamboclos, paulistas, pernambucanos, gregos, baianos, troianos, nicaraguenses, andreenses, cubanos, noruegueses, chilenos, iraquianos... cidadãos do mundo, enfim.

domingo, 15 de agosto de 2010




 

 

 



rua do horto,
juazeiro, ceará.
julho de 2010

lucas parente para francine, erica, mim

mostrar detalhes 14:54 (20 horas atrás)


- sete alternativas contra a solidão
- rituais de purificação à prova de poluição
- diálogos desejados
- sol sempre disponível
- idas e vindas :
voltas e revoltas
- lugar de buscar rumo

sábado, 14 de agosto de 2010

as linhas da estrada - A1 - autres directions

vontade de receber um mail teu / d'alguém. andei descobrindo outras coisas da minha avó. essa planta que mandei, por exemplo, pra vocês, tem toda uma lógica se você ver de perto com calma. voltando de bruxelas. com vontade de parar. tenho deixado marcas. a palavra marca, a palavra malha, a palavra mancha, todas elas vêm de mácula, que em latim é o mesmo. a gente deixa rastros, traços, por onde passa. as vezes isso retorna e necessitamos rituais de purificação. em francês "gonflé" significa inchado, mas também "atrevido" ou de "saco cheio". podemos dizer que é o estado em que se cai após deixar muitas máculas por onde se passa. o jean-pierre vernant tem um texto chamado "o puro e o impuro" que li uma vez há anos, mas que volta e meia volta. sobre atingir uma certa iluminação através da mácula. como édipo. ser cego e ver. fazer sexo e sentir-se casto. a palavra mácula que é também karma. cair no rio lethe para esquecer e se lembrar. se banhar de esperma e sangue. beber a alma. etc etc. sou essencialmente carnívoro. no sentido grego do termo. comer carne para assumir a mortalidade. beber vinho e queimar a carne (holocausto) para purificar-se através da mácula. o contrário de pitágoras que propunha o vegetarianismo como forma de tornar-se imortal. é não assumir a mortalidade. é ver o tempo cíclico como uma forma de re-criar o mundo. de apagar as manchas, as pegadas. acordar de manhã bem cedo e dar tapas na cama para tirar nossas "huellas" do lençol. não escrever. não fazer sexo. não falar alto. jean-pierre vernant (muitos livros) e marcel detienne (dioniso ao céu, os mestres da verdade na grécia arcaica). me marcaram muito. acho que vou reler. enfim. cheguei. moro aqui. mas antes mesmo de sair do carro entrou neco, um francês bem francês, e disse que ia cortar o meu pau. falou com toda uma agressividade. disse, enfim, que deixo marcas, que arrisco sem refletir, que atravessei a fronteira duas vezes ilegal, sendo que a polícia poderia, pegando-me, apreender o carro e multar todos os que estavam comigo. não consegui dormir. no meu quarto o cheiro de outro alguém. objetos de outro alguém. um rádio, mapas de paris, livros novos, roupas, câmeras, edredons. de alguma forma tenho que por muitas cartas na mesa. é como se fosse uma nova rodada e dessa vez tivesse que deixar de blefar. amanhã iremos ao barbès, o bairro africano, para comer comida argelina. seremos nabila (argélia), ians (alemanha), voitek (polônia), piotr (polônia), talvez uma carioca et yo. gente demais para derivar? escrevo um texto influenciado pelo perec. terminei outro livro dele (que não gostei tanto). deixo meus cabelos crescerem como faz tempo não fazia. o projeto (acho que li demais, que tenho demasiadas idéias por dia, que é trop, que por isso concretizo menos do que devia). o teste de francês. sempre a instituição sobre as minhas costas, como o chapeleiro da alice sobre as costas do tempo (matando o tempo). xais pas quoi dire. hoje mais vinho, mais cerveja, mais cigarro. já nem fico bêbado. dormi num parking, num parque, num carro, num bunker, numa praia, na casa dele, dela, de outro alguém. cada dia uma cidade diferente. sempre o fassbinder. que filmou 41 filmes dos 25 aos 37. doze anos. sete camas. hoje falamos de ópio, de ecologia, de dominação feminina, de paixões, de guerras, de sexo. foi um dia de repente em que fiquei contente de não ter nenhuma mulher a vista. o buñuel para quem perguntaram "se você pudesse trocar algo no seu corpo, o que você mudaria?" "o fígado para beber mais e o pulmão para fumar mais. o pau eu já não quero mais. ele é a causa de todos os problemas." será que a gente algum dia vai aprender? porque as pessoas ainda vivem nos anos 50? porque é tudo tão rápido? será que estou envelhecendo com todas estas viagens? quando será que vou decolar? 800km por hora ainda não é o suficiente? o chão vibra. as gotas na janela se deformam e vão para trás. parece que tudo vai explodir a qualquer instante. mas ainda assim não decola. horloge / hor - loge / hora-logos. a rádio a música o movimento dos astros a place des vosges. uma catedral gótica. um texto. todas aquelas estátuas. um complexo habitacional. uma foto. todas aquelas estátuas. cinema = eixo rodoviário. teatro = rua. será que o rumo a tomar é fazer-se caminhoneiro à la osualdo candeias. ou comprar uma moto. para onde é que vamos? as estrelas aceleradas do star wars. de pontos se tornam linhas no espaço (que não é plano). quero ler deleuze e gattari. é como se já tivesse lido, mas para o projeto é importante. já não sei o que dizer. nunca sei se falo com alguém ou se é comigo mesmo. uma bolha. vivo na bolha. ela brilha. mas é asfixiante quand même. se bem que hoje a nabila disse : belle bulle. queria ir às falésias da normandia com você. será? estive lá e começaram a cair pedras lá de cima. um estrondo n'água. os pássaros enlouquecidos. uma fonte quase sem sal. todo um istmo atemporal. la mer verte. pleine des algues. ça

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

domingo, 8 de agosto de 2010

desculpe a invasão de privacidade,


QUINTA-FEIRA, 18 DE MARÇO DE 2010


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cozinha,três da manhã.
francine sentada na pia
eu,lavo a louça.
ela corta um pimentão eu cebola
temos três cigarros que são economizados ao máximo
o telefone toca tentamos fingir que ele não toca.
na radio mec fm,a voz do locutor explica adagio,andante,alegro
elaeu levanta da cama abre a janela chuva fina
xuxu fala de artaud enquanto faz auto retrato meu
comida pronta. comemos hablamos de sp
matisse movimento interno da pintura
desolação de los angeles
lavar os pratos,lavar os pratos comprar cigarros fazer café
fazer mais café
dormi de cansado
baibe acordada lendo
travesseiro de braço.


























Imagem:
Cozinha entupida de gente.
Todas as gentes voltadas para a pia, onde uma mulher pica uma cebola.
Todas as gentes choram. São rostos vestidos de maquiagem excessiva borrada pelas lágrimas, o exagero está na abundância de lágrimas e pintura sobre o rosto, mas não nas transições da expressão facial das gentes, que é quase fixa, depois de posicionada, é blazé, se mantém onde está, só isso.
A câmera funciona como mais uma gente que entra na cozinha, e então captura todos de costas; são cabeças. Essa primeira imagem se parece com gentes assistindo a um show, quando vistas de costas por uma das gentes na multidão. A câmera percorre, atravessa a multidão, não captura rostos ainda, quando finalmente chega na mulher que corta cebolas e no limite da cozinha (a pia), vai pra cebola, pra faca, punhos, peito e rosto da mulher que corta. Agora está voltada de frente para as gentes, flagra os rostos, pausa. O coro de rostos é quase imóvel. As pessoas fazem só o movimento mínimo com os rostos, como piscar e engolir saliva, mas se mantém - ou com a boca aberta, ou com a boca fechada, olhos abertos que olham para o alto, olhos fechados, etc, há uma variedade de expressões. A câmera então vai voltando, flagrando os rostos chorosos. O primeiro rosto é da própria que corta a cebola, os demais funcionam como eco desta.
A câmera deixa a cozinha.
Áudio:
Paixão segundo São Matheus (Bach)  



f.jallageas

é meio anos 80 afinal

talvez você me diga que não, que são os óculos da ray-ban que estão na moda e eu repito que não, é um poema

A noir, E blanc, I rougeU vert, O bleu : voyelles,
Je dirai quelque jour vos naissances latentes :
A, noir corset velu des mouches éclatantes
Qui bombinent autour des puanteurs cruelles,
Golfes d'ombre ; E, candeur des vapeurs et des tentes,
Lances des glaciers fiers, rois blancs, frissons d'ombelles ;
I, pourpres, sang craché, rire des lèvres belles
Dans la colère ou les ivresses pénitentes ;
U, cycles, vibrements divins des mers virides,
Paix des pâtis semés d'animaux, paix des rides
Que l'alchimie imprime aux grands fronts studieux ;
O, suprême Clairon plein des strideurs étranges,
Silence traversés des Mondes et des Anges :
- O l'Oméga, rayon violet de Ses Yeux ! -

porque gosto de cores, como a benetton

de alguma forma 
(em minha vista é muito claro)
escrevi algo
(dando continuidade ao que iniciei
com eu decepciono/ele ascendente)
que está em diálogo 
com teu auto-retrato baconiano
desfigurado e borrado
tua legenda emprestada
eu sou outro:

eu
que se pronuncia
na boca
antes que ela fale
na cara
antes que ela se transforme

nos traços a interpretar
do rosto ainda mal formado

vem ver o céu (des)moldado
pelos beijos do vento nas nuvens

é a face sem rosto
o sexo dos astros
a mentira das estrelas

céu-rosto pobre
da psicologia

manchas de sangue pisado
borrões escuros beirando os orifícios da visão
fabricados nas noites de pergunta infinita

vinda do oráculo
às margens dos cílios
uma linhazinha branca

contorna o hábito de esvaziar-se
da água de que se preenche

sobre a planície porosa
lambida pelo vento
(de)formando cavalos
quase cachorros tornados casa
depois vaso sobre mesa e ônibus
uma conversa de mulheres quase barulho
de crianças na escola às quatro da tarde
quando há velhas cantigas

eu

nunca paro de escutar
quando abro os olhos

de manhã às vezes
já estou cansada

porque escutei demais
durante a noite

e jamais
a noite
é pausa

eu

escuto
desde o dia
do nascimento

eu

que me lembre.




f. jallageas
"
JE
EST
UN 
AUTRE

              "