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[aStro-LáBio]°² = [diáRio de boRdo]°²

o tempo de uma gaveta aberta
é o tempo de uso de uma gaveta aberta
é o tempo de uma gaveta em uso
agora fechada a gaveta guarda
o tempo para trás levou
e não volta mais: voou





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érica zíngano | francine jallageas | ícaro lira | lucas parente

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

http://www.radio.uol.com.br/artista/barney-kessel/70831
escucho a barney kessel
y fumo fumo fumo y tomo té
e intento prepararme unas tostadas
com mantequilla y mermelada
pero descubro que no tengo pan y
ya son las doce y media de la noche
y lo único que hay para comer
es una botella casi llena
con caldo de polle comprado por la
mañana y cinco huevos y un poco
de moscatel y barney kessel toca
la guitarra arincando entre la
espada y un enchufre abierto
creo que haré consomé y
después me meteré en la cama
a releer la invención de morel
y a pensar en una muchacha rubia
hasta que me quede dormido y
me ponga a soñar.

domingo, 10 de janeiro de 2010

la universidade desconocida

querida,no es el paraíso.
enlas calles hay batallas campales después de las diez de la noche.
nadie viene a visitarme.
aunque la comida que preparo aún no es del todo mala.

?cómo se llama esto?,pregunté.
océano.
una larga y lenta universidad.




p.43
roberto bolãno

sábado, 2 de janeiro de 2010

Se nos detivermos na análise simbólica do local de culto da tribo Tchi-puto-ie, poderemos compreender os pressupostos do argumento de Jacques Brousseau. De fato, parece haver uma iniciativa cósmica na disposição dos elementos rituais. Tudo se passa no interior de um trapézio retângulo. Diferente dos quadriláteros regulares, essa forma geométrica por si só nos remete a uma espécie de assimetria. Dispostos nos limites lineares do trapézio, encontramos objetos que evocam as etapas superadas pelo iniciado. Em azul, destacamos aqueles que se vinculam à infância; em vermelho, à adolescência. Ambos projetam no todo um cruzamento que parece ter seu ponto de econtro atraído pelo ângulo mais agudo do trapézio, como se ali houvesse um atrator. A propósito, poderiamos supor que o trapézio é um quadrilátero regular que teve um de seus ângulos atraídos por alguma força exterior. Próximo ao ponto de encontro deslocado, se encontra a posição ocupada tradicionalmente pelo iniciado, um paralelogramo. Seria uma tentativa  de forjar uma regularidade dentro da irregularidade? O paralelogramo se volta para o centro do culto que, aqui, representamos em amarelo. Este se constitui em um ícone que incorpora o ponto onde o tempo histórico é suprimido (...)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Os Amantes da Ponte Neuf


"Desenhei sobre a placa preparada com breu
para banho em ácido (água tinta) e isolei
com verniz o restante da área. Posteriormente
radicalizei desenhando com lápis pastel oleoso
sobre a placa preparada com breu, levada dire-
tamente ao ácido, obtendo um resultado direto,
sem artifícios para se assemelharem aos parâ-
metros dos desenhos com creiom."

DANS LA VILLE BLANCHE

- S'il vous plait... papier ?

- Papier ?

- Ecrire.

- Grand ? Petit ?

- Grand.

- Stylo. 

- Ah, un crayon.

- Merci. La poste ?

- Là, en bas.

- En bas ?

- Oui, en bas.

- Merci.

. . .

Je remonte à la surface. Stop. Rosa est partie je ne sais où. Stop. Le seul pays que j'aime vraiment c’est la mer. Stop. Je l'aime. Stop. Je t'aime. Stop. Je t'embrasse tendrement. Stop. Le corps d'une femme c'est trop grand. Stop. Ce sera donc la guerre entre nous. Stop. La mÈmoire et l'oubli ont la mÍme origine. Stop. Les femmes sont trop belles. Stop. Les trains ne partent pas à l'heure. Stop. Je n'en sais pas plus qu'avant. Stop.

OPICINUS
While some earlier scholars would have labelled these maps as the epitome of medieval European cartography, due to the very ecclesiastical form and content, they were, indeed, an exception in this period's mapmaking. Opicinus de Canistris (1296 ~ c1350), a Pavian who worked at the papal court in Avignon, drew a series of imaginative maps, while acknowledging in a text written between 1334 and 1338 his use of nautical charts. Canistris's maps are fanciful anthropomorphic perspectives on geography, cartography and religion, a style that was to become a popular form of social and political commentary in the 17th - 19th centuries.  In these examples of Canistris's maps the physical geography is adapted somewhat to animal and human forms - the image of a king conforms to the shape/content of Europe, with the image of his queen forming North Africa. There is no further attempt to personify any other landmasses; however, the Bay of Biscay adjacent to France takes on the form of a lion with his mouth agape; and the Eastern Mediterranean is shown as an old bearded man holding a dove, a book and a scepter. There is no real attempt to depict the landmasses with any degree of current geographical knowledge, the British Isles, Ireland, and Scandinavia are drawn crudely even by the standards of the day. However, the purpose of these maps were obviously not geographical or navigational, but purely a fascinating, eye-catching medium for conveying a set of ideas.
Otto Georg von Simson:
The way in which the mediaeval imagination wrought the symbols of its visions appears, more clearly perhaps than in the conventional imagery of Christian iconography, in the strange designs by which an Avignon cleric, Opicinus de Canistris, sought to represent the Christian cosmos. While he represents the universal Church as edificium templi Dei, he blends the female allegory of Ecclesia into a geometrical pattern that looks much like the ground plan of a church and helps one understand how the mediaeval mind envisaged the symbolic relation between the temple and the shape of man. Opicinus was an eccentric; his drawings can hardly claim to be works of art. They are nevertheless characteristic of the mode by which the Middle Ages created its symbols.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

equitativa

Se por algum agradável acaso da física das cordas os portais do tempo sorrissem para mim, agora mesmo eu bem poderia ter conhecido minha mãe;

gerando minha irmã primogênita, 23 anos, casada, militante de esquerda, governo Médici,
Equitativa, 1973.

Pegaríamos o defeituoso, mas não dessa vez, elevador lento, falaríamos do bom, quente e úmido tempo que é o dezembro carioca, da correria consumista natalina, ainda que o Natal celebre reencontros, não tão desejáveis, por vezes... e com essa deixa, comentaríamos sobre a sua ida ao mercado para comprar cheiro verde, camarão e moranga: "a ceia dos membros 'desaparecidos' do Partidão". Travada a empatia inerente e, de tão parecidas, é certo que nos questionariam "Irmãs?" ao que contestaríamos, simultaneamente, "Não. Mas quase lá." Ela, tão tímida; e eu (como de costume), acirrando os ânimos da felinada adotada pelo condomínio. E aí, o que é muito óbvio, diria-lhe que essa coisa de casamento não está com nada e que um filho basta para experimentar os prazeres da maternidade. Então ela não esperaria dez anos para me ver nascer e decidir virar artista. E também não seria minha mãe, claro. Seria a grande Célia Ribeiro e, por conseguinte, a ordem mundial se converteria num matriarcado. Sim, matriarcado, meu caro, pois ao abrir mão de mim, Célia Ribeiro pegaria o mundo para criar. Por minha vez, eu ficaria presa no tempo, desmaterializando-me, transformando-me nas curvas dos portais de Cosmos. E, sim, agradavelmente eu não estaria aqui, no derradeiro round de 2009, urgindo e fumando prá lá e prá cá, envenenando-me com fast-food (e muito, muito culpada por isso - e, veja bem, o problema é só e somente a culpa), aborrecendo-me com as fotos DESTAQUE DO MÊS ou com as placas RIO SEM FUMO. Não teria mais gengivite, seria a gengivite; o gás carbonico-sônico de Clifford Brown ou a poeira de Benfica; o odor das axilas suadas pelos ônibus dos trópicos ou a lasca daquela árvore amazônica de onde extraem a essência do Chanel N° 5. Tragável. Intragável. Gitâ ou o que for dito por aí. Mas passaria, é certo, por todos os pulmões e guardaria, finalmente, o mundo em mim e nele seria guardada por Célia Ribeiro, a grande Shiva da vez.
Qualquer coisa que você respire.
Ana Cristina

5.

Quando entre nós só havia 

uma carta certa 

a correspondência 

completa 

o trem os trilhos 

a janela aberta 

uma certa paisagem 

sem pedras ou 

sobressaltos 

meu salto alto 

em equilíbrio 

o copo d’água  

a espera do café

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

“Errar es un sumergimiento en los

olores y los sabores, en las sensaciones

de la ciudad. El cuerpo que yerra

‘conoce’ en/con su desplazamiento.”

Néstor Perlongher

sábado, 19 de dezembro de 2009

tenho uma fábrica de desespero debaixo da língua.por isso falo tão pouco.

8.
tenho flores a sair da porta dos armários e nunca tive um armário na minha vida.isto,claro é muito estranho.
o normal seria eu ter um armário e não ter flores a sair dele.mas a verdade é que é tudo ao contrário.
tenho flores a sair da porta de um armário que nunca tive.
46.
uma vez li um livro que tinha um título que ainda hoje me incomoda.o título era;a minha necessidade de consolo é
impossível de satisfazer.era este o título.quem escreveu isto suicidou-se.a minha necessidade de consolo é impossível de satisfazer.a tua necessidade de consolo é impossível de satisfazer.




O HOMEM OU É TONTO OU É MULHER /gonçalo m.tavares