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[aStro-LáBio]°² = [diáRio de boRdo]°²

o tempo de uma gaveta aberta
é o tempo de uso de uma gaveta aberta
é o tempo de uma gaveta em uso
agora fechada a gaveta guarda
o tempo para trás levou
e não volta mais: voou





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érica zíngano | francine jallageas | ícaro lira | lucas parente

domingo, 8 de novembro de 2009

Agora que decidi escrever sobre isso, ainda não estou certa se sobre isso, que sempre evito. Talvez eu precise de um amor apenas para ter algo leve-cortante para pensar enquanto olho pela janela do ônibus, a mesma paisagem... Agora estão sem graça as viagens. Penso em coisas sérias, e essas coisas exigem demais, não é agradável nem leve, ainda que cortante. Nada que rasgue nem de significativo para gravar nos outdoors. Tudo é breve e não pode ficar espalhado pela cidade. E claro que sinto falta, de tal forma que decidi e venho lhe pedir, querido, que fuja comigo.
Tenho um plano: Buenos Aires, você e eu. Não será difícil, cuidaremos cada um de arranjar um sustento. Faremos um ninhozinho, dessa vez teremos flores. Então eu sofrerei como desejo, como minha natureza pede, como me é vital. Você trará de novo a poesia. Eu voltarei a corroer-me cada vez que você sair as nove da manhã (mesmo que eu lhe apresse para isso, porque é importante que você não perca o emprego) e ficar tão atordoada passeando pela casa, até decidir dobrar cada uma de suas camisas e lhe possuir através disso. Depois, calada, mas ofendida, chorar porque você tarda e quando chega se interessa mais por um joguinho qualquer que por mim e, no fim, morrer tão deliciosamente nos seus braços, desesperadamente e de novo a cada lembrança. Agora mal lembro, meu bem. Lembro tão apagado, só os fatos, quase sem sensações. Preciso que me diga se vai, se vamos, se aceita. Como quando você estava com aquela tosse sem fim e eu não sabia mais o que fazer, pois sempre que muito me esforçava fazia alguma coisa errada, e sua tia, uma senhora tão doce, foi lhe salvar de mim e da tosse. Sua tia, que não me enganava nada com aquela candura e jeito de vovó, lhe tirou de mim. Eu chorei a noite toda, mas no dia seguinte, vesti uma roupa toda justa, um salto e pintei os olhos (eu sempre pintava os olhos e rosava as bochechas quando estava contigo) e fui lhe buscar de volta para meus descuidados. Você estava mimado, de meias, samba-canção, cachecol, vitamina e biscoito. Que me importava?, sem rodeios disse que você voltaria comigo e sem rodeios você obedeceu. Fez apenas um bilhete de desculpas, com sua letra linda e algumas mentiras. Então, escreve seus bilhetes de desculpas e vamos embora, porque quase não sinto mais sua falta.

O QUINTO DIA

Sobre o que for carregado, ser sobre o que fosse nada, rir e chorar desacordado, como o filho que não nasceu, olhar mais um tempo, negar o sórdido, esperar pelo vento, abraçar o sórdido, já que o vento não veio, pensar em cactos sedentos de areia, pensar em como os cactos são como nós mesmos, metáforas repartidas com uísque nacional, escutar a manhã de Grieg num antigo desenho animado, fazer carinho no próprio carro, uma charrete enguiçada, pensando numa antiga namorada, que desligou o telefone quando quase, sem ser convincente, você disse que a amava, e não somos convincentes, afinal mas precisamos, e duramos uma noite, e rimos para cima para que tudo escorra pelo rosto, ouvimos quem sabe os sons surdos dos banheiros públicos, uma certa ternura pelas meninas da Prado Júnior, sem conhecê-las ou falar de futebol para as meninas bocejarem, ser barbado e não ter idade, pensar em Ney Matogrosso com uma faca na Pizzaria Guanabara atrás do Cazuza, pensar naquela velha letra de música, de que muitos se envergonham, os meus amigos todos, i remember u well, u told me again, tonight i’m Kris Kristofferson, babe, gimme a head like nobody before, e as manhãs de abril em junho, a tua imagem congelada na porta do labirinto ou no ímã da geladeira, sou eu ali desaguando no teu ombro, desaguando feito criança sem mimo, fazendo xixi na cama sem poesia, despetalado no mal-me-quer, sublinhando frases em livros de amor: o amor será dar de presente um ao outro a própria solidão? Sou eu então não agüentando e escondendo velhos pactos debaixo do braço, a saudade que sinto quando estamos juntos e eu vejo nos teus olhos os restos do meu sorriso morto, sou eu enfim desaguando, é a estaca dos gestos, o quarto com a morrinha de uma amizade antiga feita há minutos para sempre sós, sou eu envergonhado sem ser músico te falando sobre a dificuldade de se fazer uma canção, uma cidade bonita finalmente, assim, sem música, no silêncio compassado de uma lembrança impressionista, uma vergonha bonita afinal, porque a cidade que sempre é feia de repente ficou bonita, de bochechas vermelhas, num risco de céu o avião que passa dizendo que os homens e mulheres vírgula, sou eu envergonhado pedindo perdão a todos os poetas que estavam ali quando não virei a cabeça, e antes de desligar ela disse sem me olhar nos olhos, porque afinal isso seria banal e óbvio, mas ela disse, ela disse e parecia uma frase já dita em algum lugar ainda pulsante, uma frase repetida de tantas despedidas sem lenço, de tantos abraços pela metade, de tantos socos na parede, coceiras incontroláveis, tremedeiras lúcidas, sim ela disse, ela disse eu vou embora, mas antes ela disse, ela disse eu não te amo nem você a mim, e ela disse isso sem olhar, porque olhar corrompe, ela disse você sabe falar, você fala sem parar, você fala amor amor amor amor, você chama o que te mata, você chegou atrasado, babe, você não sabe fumar cigarro kerouacamente, dia dos namorados e eu aqui pensando num antigo tema de Paganini, pensando no que me fez chorar estranhas lágrimas cor de sépia, pensando nela dizendo: você precisa desesperadamente de amor mas não ama ninguém. Mas há rosas vermelhas sobre a mesa, há um livro que nunca foi lido, aberto na página exata sobre a cama desfeita, há ainda o que serve para inventarmos presságios de aproximação com as pausas marcantes no fim do abraço que hesita, do beijo sonoro plágio de Sergio Sampaio dizendo: não ligue que a morte é certa, não chore que a morte é certa.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

carta de pai

Ainda que os sonhos mais impossíveis de serem sonhados, os mares e ventos os mais rebeldes, revoltos e tempestuosos, de todo o nosso mundo, e de outros que ainda vamos visitar, ainda que as galáxias colidam produzindo supernovas gerando estrelas de todos os brilhos, chega um momento em que, aqueles e aquelas que têm paixão pela vida( e pelo que fazem), precisam do RESPIRO começar a Falar... (lembra do Respiro do Youtube,,,) Vc minha querida, aliás, mais querida do que nunca, te admiro-te e te amo-te pra sempre. É que os meus átomos são os mesmos dos que foram produzidos pela explosão de uma supernova(!) no local onde vivo. Então, é pra sempre mesmo..eheh !!! Balançando na rede de sol nascente da Lica re,re... bjs pra vc de quem te adora.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

60 watts

“Esta mañana se me ocurrió que el nombre de la revista podría ser “60watts”…les explico: se supone que las ampolletas con esa potencia son aquellas que iluminan de manera más pobre las habitaciones. Las usan generalmente en los suburbios y barrios marginales porque son las más baratas. La idea que está involucrada es la de la precariedad: la literatura como un hacer marginal, una lucha por una luz que es escasa. No se trata de ser “marginal” porque sí, ni como una pose, sino de iluminar elementos de la literatura, la música, el arte que en general pasan desapercibidos. Por otro lado, las ampolletas de ese tipo forman parte de la “cultura” industrial de nuestros días, las encuentras en cualquier parte. Y una de las motivaciones por las que hemos querido armar esto es “insuflarle” al medio un aire más fresco, una mirada más viva, por eso es que vamos a integrar críticas de discos, de libros, de películas desde una perspectiva personal, “crónicas” donde nosotros estemos involucrados y haya una conexión con el entorno en que vivimos. No queremos que la revista sea simplemente una revisión de…”.

FILHO

o primeiro amor morreu.

por enquanto não temos

nenhum outro disponível,

mas, veja por este lado,

temos um campo submerso

de possibilidades débeis,

até mesmo os raríssimos

segundo, terceiro amor.

amor agonizante é pecado.

dar-lhe, portanto, um tiro

na cabeça – e só a morte

da carne entorpecida trará

de volta à pele os poros,

por onde suar novas regras.

e o que chamam paixão nua

pode ser você e eu, avante,

de novo dois desconhecidos,

dando a mão para atravessar

a grande rua difícil, sem ver

que o mais por debaixo fica,

leite para os sedentos lábios

da primeira morte madalena.

.



































.

sábado, 31 de outubro de 2009

.
diana.s .
. juazeiro
. babe me diz quando eh o lançamento da revista me diz se as nuvens avançam sob a montanha e se aproximam do cristo, trazendo a chuva me diz com quantas colheres fazemos um cafe me diz se vc mandou fotos pra saopaulo me diz se em caso de incendio da subir correndo me diz se vc estara no rio dia 3 beijo . cherie as datas estao se fazendo liquidas, ia partir antes... mas agora volto aos planos iniciais; dia 5:sp paris cansa um pouco, mas é preciso buscar as pequenas minas de ouro ontem vi o Courbet, a criaçao do mundo e las vagues nouageuses sim lembrei muito de vc. assim como com o Millet e com o Bacon muita coisa para processar... te mandei um envelope, sem cep espero que chegue, meio confuso e corrido mas manda ainda o cep se puder bisous .

CASA NA COLINA

acho que não devo dizer que as mãos me cansam. chega dessa conversa rancorosa, desse cânone que em nós dissolve imensas paredes, escombros. hoje direi apenas: cansei dos homens, sou mais um que vai para o alto da colina, onde ocorrem mortes forçadas por um tiro equivocado e um pouco de pó que se uso visto os chinelos e desço para a margem e colho flores de segunda categoria na saída da nova morada onde estão estrangeiros, famintos e loucos, e sou um pouco dos três, mas ainda me sinto pálido, com vontade de sair e conversar com os bombeiros e saber da mulher que mora à porta ao lado e traz um bebê no colo e outro no ventre e é linda e tem um filho de olhos azuis e uma origem que me diz dor e carrega com vontade um galão de gasolina até ali e penso “ela poderia muito bem incendiar tudo e eu...” e eu não sei dar fim à frase quando vejo que de fato abandonei as coisas retas, com pólos reconhecíveis, e estou aqui, cá com meus trejeitos de cem frases, e uma frase arrebatadora poderia dizer muito, Elias, mas “não são os pensamentos mais profundos aqueles que por mais tempo influenciam o nosso mundo”. agora os amigos, espero, surgirão das mangueiras, e teremos falta de comida, falta de água, melancolia suficiente para cantarmos sozinhos durante o banho músicas que não gostamos, e que lembram nossos pais.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

1. LINHAS DO SITE: Em negrito estão as palavras-chave que aparecerão na primeira página da revista, em seguida, em itálico, segue um subtítulo que aparecerá quando o mouse passar pela palavra-chave, e depois está o que contém dentro de cada janela-palavra-chave.

flâneur dispersão volátil

todos os colaboradores (autoretratos –biografias – mapas)

errância mapas; poéticas do eu; desertos

ensaio. leitura em descoberta: "texto, lugar que viaja" – Érica Zíngano

link\texto google maps. Da onde vieram os homens – Julia Debasse

conto. Atacama – Alberto Azcárte

conto. Deserto de Hofmannsthal – Leonardo Marona

vídeo. Deserto – Francine Jallageas

vídeo. Filme-Diário – Alessandra Colasanti

vídeo. Lá fora cantam os passarinhos – Mariana Smith

ensaio. Sobre poesia e magia – Fernando Rodrigues

fotos. asfalto concreto – Pedro Campanha

fotos (17 imagens) . - qual a semelhança entre uma cidade e o deserto?– Érica Zíngano

TEXTOS: 4

VÍDEOS: 3

FOTOS: 2

TEXTO/HÍBRIDO: 1

exílio cartografias; correspondências; deslocamentos; cruzamentos

conto. Perdurar – Francine Jallageas

texto. cadernos de viagem: 1, conversas imaginárias – Érica Zíngano

poesia. a veces, no siempre; por la Avenida Córdoba; à la carte; plic-plec-plec – Fernando Rodrigues

poesia. Poemas inéditos da cadernetinha de estudos... – Bruna Beber

poemas. Fortaleza, Camelos, São Paulo não está, Cendrars – Leonardo Marona

texto. Auto-entrevista – Uirá dos Reis

fotos. Procura – Antonia D’Orazio

Conto. Plano de Verão – Cecilia Giannetti

TEXTOS: 7

FOTOS: 1

VÍDEO: 0

deriva vertigem; trânsitos; cidades

fotos-poemas. Rua Angústia; Van Guarda; Circular – Bruna Beber

vídeo. abc – Ícaro Lira

poesia. Do táxi do Armênio – Francine Jallageas

vídeo. Trânsito – Themis Memória

fotos. Mi mundo por um caleidoscópio – Ana Rezende

fotos. Reflexos – Antonia D’Orazio

fotos. Infinitivos – Mariana Smith

texto\fotos\links simplesmente porque é impossivel que não exista uma ilha desconhecida – Flávia Memória

vídeo. Carta Número 2 ou Medo de Voar – Lucas parente

Conto. de trenes y metros – Lucas Parente

FOTOS: 3

TEXTOS: 2

VÍDEOS: 3

TEXTO\FOTO\HÍBRIDO: 2

linhas de fuga tecnologia e exílio; road-movie

ensaio. Skype – e a realidade de ciência-ficção – Lucas Parente

fotos. Skype – Ícaro Lira

vídeo. Skype – Ícaro Lira

Fotos. Analogia – Pedro Campanha

Fotos. (M) – Cristóbal Pereira

vídeo. 10 postais / planos brutos / transatlânticos – Lucas Parente

vídeo. Anticlássico – Alessandra Colasanti

livro, fac-símile. Transatlântico – Mariana Marques

Fotos. voltando pra sampaulo, 1/ voltando pra sampaulo, 2 – Érica Zíngano

poemas. do livro Balés – Bruna Beber

FOTOS: 4

VÍDEOS:3

TEXTOS: 2

TEXTO\FOTO\HÍBRIDO: 1

2. REDES DE CONEXÃO ENTRE OS TRABALHOS: Cada item contém os trabalhos que serão linkados uns com os outros no site, as flechinhas indicam que os links devem ser como uma cadeia circular, de ida e de volta:

1. ensaio. Skype de Lucas Parente ←→ fotos. Skype de Ícaro Lira ←→ vídeo. Skype de Ícaro Lira

2. poema. Do Táxi do Armênio de Francine Jallageas ←→ vídeo. abc de Ícaro Lira ←→ vídeo. Carta Número 2 ou Medo de Voar de Lucas parente ←→ fotos. Mi mundo por um caleidoscópio de Ana Rezende ←→ vídeo. Trânsito de Themis Memória ←→ texto\fotos\links. simplesmente porque é impossivel que não exista uma ilha desconhecida de Flávia Memória

3. vídeo. Deserto de Francine Jallageas ←→ conto. Perdurar de Francine Jallageas ←→ Conversas Imaginárias de Érica Zíngano ←→ conto. O Deserto de Hofmannsthal de Leonardo Marona ←→ fotos. Cidade deserto de Erica Zingano ←→ fotos. asfalto concreto de Pedro Campanha ←→ conto. Atacama de Alberto Azcárte ←→ poema. Camelos de Leonardo Marona

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

querida, seu email aportando como uma âncora no meio da minha mesa de trabalho suas palavras de tanta força de tanto gosto fiquei emocionada pelo peso mas o peso como uma importância simbólica nos pequenos gestos de mover o mundo de criar outras vozes para movermos fortaleza lentamente talvez ela devesse, como lisboa, descolar-se do continente e sair flutuando em mar aberto sem rumo certo porque fortaleza é puro devir e puro amor e tantas vozes que querem firmar fortaleza dizer, não aqui EU mando crio raízes e faço e desfaço eu só penso e peço pra fortaleza que ela se liberte de si mesma como alguém que tem que cuspir tudo que consome pra se limpar pro dentro e cair em mar aberto a partir do marco zero porque sair pro mundo talvez seja o que ela precise pra se libertar de si mesma tão arraigada em si mesma tão presa ah fortaleza! (esse é a única forma de colocar um A na frente da cidade, como exclamação absurda como se fosse uma lamentação sem ser) em lisboa tem muita fortaleza (o contrário também é verdadeiro) o tempo a espera os hábitos tão portugueses meu deus são sebastião tão jovem e já deixou todo um tempo do mundo pra se esperar ah fortaleza! grande praia desvario de água ah fortaleza tua boca aberta de turistas invadindo a praia e um sem números de línguas faladas ao mesmo tempo não te faz falar língua nenhuma só um burburinho de gente passando tua não identidade demarcada tua falta de sorte no futuro que nunca vingou ah fortaleza, grita grita pra ver se melhora grita em qualquer língua que seja porque grito a gente entende ah fortaleza tão jovem não se deixe cair assim antes de cair ao mar iracema de braços abertos nem espera o martin voltar! porque mesmo que martin lembre martir o teu peso é outro de guerra muralha fortaleza, ah fortaleza, cai no mar pra voar!
Cheguei ontem na alemanha Chico da Silva por todos os lados na casa do amigo alemao da minha mae! varios... mais de 20! foi otimo ler o bataille em Paris! sonhei com vc .