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[aStro-LáBio]°² = [diáRio de boRdo]°²

o tempo de uma gaveta aberta
é o tempo de uso de uma gaveta aberta
é o tempo de uma gaveta em uso
agora fechada a gaveta guarda
o tempo para trás levou
e não volta mais: voou





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érica zíngano | francine jallageas | ícaro lira | lucas parente

terça-feira, 15 de setembro de 2009

"poemas" recolhidos dos diários de Charles Darwin,
estes fazem parte da seção A viagem do Beagle:
Ilhas de Abrolhos

a uma certa distância

— entre a certeza

e o espanto — tais ilhas

de que falam os náufragos

— ou seus biógrafos —

chegam a brilhar de tão verdes

(embora, de fato,

tudo sejam cactos,

poucos arbustos

e gramíneas).

pássaros,

totipalmados e tagarelantes,

são muy abundantes y variegados

— nada, porém,

nos deu mais sobressaltos

do que os sáurios,

runeiformes e indecifráveis

(aqui, cada pedra

tem cativo o seu lagarto) —,

como as aranhas e os ratos

criaturando-se

na sanha imóvel

das rochas quentes

— não vê,

o navegante incauto,

que o chamam,

(para a morte? o sono? ó, o canto?),

no fundo do mar

esses corais cerebriformes?

***

Amostra nº 233 (não classificada)

a cerca de dez milhas da baía de San Blas, à noite,

elas formavam bandos de miríades incontáveis

e adejavam sobre a água

até onde o telescópio alcança.

***

Patagones, circa 1832

a primeira noite que passei a céu aberto

tendo a sela por cama —

ser capaz de a qualquer momento apear e dizer:

aqui passarei a noite,

na imobilidade mortal da planície,

os cães de vigia,

o grupo aciganado dos gaúchos

fazendo suas camas em volta do fogo quente,

e os cavalos do sonho que anseiam em partir.

***

As regiões do Caos e da Anarquia

Contemplar a planura, era impossível.
.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

casa camera fixa: fixação plano equilibrado, janela ao fundo, cama no meio lençois em primeiro plano. brancos. . ondas do mar
sobre o choros do mar; câmera baixa na altura da cama,lindo lembrando ozu. uma janela escura sem luz que entraria o som o tal do movimento do mar o movimento interno de matisse. a camera fixa?como uma porta?pequeno leves movimentos. pode ficar bom. talvez as vezes ela(camera) chegar perto ser o olho dela ou dele. qua acha? a mulher fala?a mulher fala quase sem voz quase não dá pra escutar. o homem lê, no texto distingue-se o orador? gosto da não representação! acho que são dois o homem e o himem.
o palco = camera logo baixa, na altura da cama no fundo uma janela escura, ou/e a cena a partir de uma porta aberta (?) bonito : "os choros do mar" hímem = ato falho a mulher fala? o homem lê, no texto distingue-se o orador? gosto da não representação! a imagem da capa não me sai da cabeça

roteiro para um filme de duras

a jovem mulher das noites pagas deveria estar deitada sobre lençóis brancos no meio da cena. ela poderia estar nua.em volta dela,um homem andaria contando a história. apenas a mulher diria o seu papel de cabeça.o homem,nunca.o homem leria o texto,seja parado,seja andando em volta da jovem. aquele de que fala a história não seria nunca representado.mesmo quando ele se dirigisse a moça,seria por intermédio do homem que lê a sua histôria. aqui,a representação seria substituida pela leitura.PENSO SEMPRE QUE NADA SUBSTITUI A LEITURA DE UM TEXTO,que nada substitui a falta de memória do texto,nada,nehuma representação. os dois atores deveriam então falar como se estivessem escrevendo o texto em quartos separados,isolados um do outro. o texto se anularia se fosse dito teatralmente. a voz do himem deveria ser alta,a da mulher,baixa,quase descuidada. eu gostaria de os trajetos do homem em volta do corpo da jovem fossem longos,que se perca o homem de vista,que ele se perca no teatro como no tempo para voltar em seguida para a luz,para nós. o palco deveria ser baixo,quase no chão,para que a jovem seja vista de corpo inteiro. grandes espaços de silêncio deveriam ser observados entre as noites pagas durante os quais nada aconteceria senão a passagem do tempo. o homem que lê a historia deveria ter uma fraqueza essencial e mortal que seriam a do outro homem – aquele não representado. a jovem seria bonita,pessoal. por um grande abertura escura chegaria o barulho do mar.ver-se-ia sempre o mesmo retângulo negro, que não se iluminaria nunca.o barulho do mar seria as vezes menos forte. a partida da mulher não seria vista.haveria um escuro durante o qual ela desapareceria,e quando a luz voltasse haveria apenas lençóis brancos no meio do palco e o barulho do mar que bateria com força pela porta escura. não haveria música. se eu filmasse o texto,eu queria que os choros do mar subissem de forma que se visse o estrondo da brancura do mar e o rosto do homem quase ao mesmo tempo,que haja uma relação entre a brancura dos lençóis e a do mar.que os lençóis sejam já uma imagem do mar
querido estou com saudade do seu silêncio me diz um oi de tudo como vai me diz como anda o tempo o rio a revista o sonho o amor me diz tenho saudade de tudo aqui em lisboa tão rio de janeiro escuto o ednardo e o carneiro me lembro da gente em são paulo (nostalgia de uma vida) um beijo
** “Alivia a minha alma, faze com que eu sinta que tua mão está dada a minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma pois senão não poderei sentir que deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora da minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém.” CL 11 de setembro Já não recordo em qual livro encontrei essa passagem religiosa de Clarice Lispector. Anotei assim, as frases interrompidas como versos, e imagino que no original elas estejam organizadas como prosa na página. Permaneceu assim, a oração, anotada à lápis na parede à cabeceira da cama desde que estou no apartamento do Flamengo. Reescrevi agora procurando no exercício de copiar as palavras de Clarice, apropriar-me delas, acreditar nelas. Sinto que é, no entanto, um pouco inútil. Aprecio a força poética das imagens do beijo entre mãe e filho, e da mão humana que não se desprende da mão ao leito de morte, mas, de fato, não me rendo ao poder profético, curativo ou protetor da prece. ** "As ideias pertubam a regularidade da vida." SS A companhia das letras publicou os diários de Susan Sontag, se não me engano, cobrem os anos de 47 a 63. Em muitos dos textos reconhecemos Sontag, ou, constatamos, Sontag já era Sontag desde os 14. Ou antes. Maravilha. Outros textos são de escrita aparentemente veloz, entre registros do cotidiano mais pragmático e passagens quase constrangedoras de tão íntimas. Estes, me instigaram ainda mais. São relatos da vida afetiva, dos sentimentos com relação ao filho, ao futuro ex-marido e às amantes. Fixei a recorrência de frases semelhantes que dizem algo do tipo: “fizemos amor (eu não gozei)” ou “sexo – eu não gozei”. Fixei porque me chamou atenção a carga confessional conjugada com uma objetividade de lista de compras do supermercado, num caderno que, se visava publicação posterior ou pressupunha, em algum cálculo (ainda que não revelado), a publicação póstuma, a princípio, se pretendeu tão somente íntimo e descomprometido. De fato, fixei porque jamais esperei ter em mãos um material tão íntimo de Susan Sontag, e com ele em mãos, para além da auto-exposição da autora, me surpreendeu a maneira como nesses escritos ela, pela primeira vez, se mostra a mim ou a qualquer leitor, prosaica. **

domingo, 13 de setembro de 2009

it's getting cold here

Hola N,
que bueno que escribiste, pues perdí tus contactos. lo que pasa es que me robaron todo, la mochila, con cámara, cintas, documentos, móvil, todo. y a chiso también, el día anterior. así que ninguno de nosotros tenía ya tu mail ni nada.
y sí, pasaron muchísimas cosas en estos dias. 
chiso se fue a Peru. tu lo crees? sin hablar nada con nadie. de repente, despues que le robaron, compró el billete. nos vimos por la noche, me robaron en esta noche, y dos días después supe que ya no estaba en barcelona. una locura. me presentó sus amigos, su mundo, ahora voy a vivir con maite y jose, en fin, pero el cabrón se fue... estábamos trabajando en un proyecto mío, una peli muy urbana, con pocos diálogos... ahora la filmo. voy a dedicarla a chiso, gianfranco rolando. ya le extraño...
y parece que en el verano, despues de toda la locura, el sudor, el sémen y la sangre, con todos estos fluidos vitales, llegamos a un punto en que todo queda "pesado", todo de repente se transforma en algo negativo, destructivo, para despues del caos poder reempezar.
creo que fue bueno que nos robaron, que chiso se fué, hasta mismo creo que es bueno ya no tener cámara y estar obrigado a trabajar en grupo, con fotógrafo, producción, etc.
y despues de todo el año reempeza.
creo que me voy a alemaña por octubre o, quizá, noviembre. así que podemos vernos si no estamos lejos el uno del otro.
y esto. 
tengo que ir a trabajar.
escríbeme. así nos conocemos mejor.
un gran abrazo,
l
boa chuva escutando jards aquela foto e do seu diário de viagem "meu primeiro dia em roma"? tenho sertesa tenho seta tenho plano risco seta da pista do cosmonauta do cortazar. a palavra risco.traço e limite,perigo ''não posso ficar sozinha no hotel" talvez juntar isso do diário-escrito com o filme-diário você falou de um video em processo!?seria um diario de bordo hoje? algo como as conversas imaginarias da erica ou um filme skype. conversas além-mar quase garrafas jogadas ao mar. frases soltas pra instigar algo e deixar claro que adorei e estou acá beijo
hi ic!!! q massimo! e' a primeira pg do meu prineiro diario, q me foi dado pelo tio italiano de minha mae, em roma, por isso comecei a escrever la, é em parte diario de viagem mas nao somente. a coisa , como vc viu, data de 1982, eu era uma especie de espermatozoide escritor adorei sua ideia vou experimentar uns lances junto com as imagens q estou trabalhando, q tem um Q de diario de bordo de hj, sao so imagens de viagens minhas nos ultimos anos to alijada da minha maquina, serei forcada a atrasar um dia ou dois..... merci pour le carrinhô! love loving flowing feelings : ) leca