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[aStro-LáBio]°² = [diáRio de boRdo]°²

o tempo de uma gaveta aberta
é o tempo de uso de uma gaveta aberta
é o tempo de uma gaveta em uso
agora fechada a gaveta guarda
o tempo para trás levou
e não volta mais: voou





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érica zíngano | francine jallageas | ícaro lira | lucas parente

domingo, 13 de setembro de 2009

http://linsouciance.blogspot.com/ sei lá. tá bom. um bando de nonsense. mas dá vontade de publicar o blog mesmo. como blog mesmo. de um ano. deve estar pondo lenha na fogueira porque daqui a pouco vai abandonar. lá dentro mas independente. do nosso astro. essa é violenta. cala a boca babaca. mas que falta de socialismo, é por isso que esse país não vai pra frente. eu aqui com vontade de desistir do meu texto. ai. essa semana filme. firme. firmar. e tchau. adeu si us plau. orchata é o caralho. people, aurevoir. lucas parente para mim, francine mostrar detalhes 7 set (5 dias atrás) tem que ser anos luz. se não for anos luz não vale. sim. eu falando de mitologia e você de poesia. vixe. - Mostrar texto das mensagens anteriores -

sábado, 12 de setembro de 2009

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Olá cara linda... Como estás? O teu plano de navegar o Atlântico vai acontecer? De barco ou de avião espero que possas fazer uma visita á Europa em breve e quem sabe se nos encontraremos... Eu estou de volta ao Porto depois de ter percorrido a costa de Portugal em bicicleta, sozinho mais uma vez, e já faço planos para daqui a mais ou menos ano e meio ir até Moçambique também de bicicleta..sem data para regressar. Durante esta viagem deu para ler e escrever bastante e pela primeira vez li um autor brasileiro que AMEI..verdade. Foi uma boa surpresa até porque encontrei o livro numa feirinha numa dessas terras que nem vem no mapa. Chama-se "A casa dos Budas ditosos" de João Ubaldo Ribeiro, provavelmente já conheces, até porque entretanto descobri que ele ganhou até o prémio Camões (santa ignorância) e se não o leste ainda aconcelho vivamente. Continuo a trabalhar no estudio de tatuagens e entretanto ambos os meus braços já estão tatuados e tenho mais cinco piercings...em breve farei pelo menos mais uma tatuagem e uns quantos piercings...no entanto sem a estrada sinto um vazio enorme que parece tomar conta de todos os meus sentidos..só me resta a luxuria.... Beijo grande Até breve

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ey, parece que no va a hacer muy buen tiempo, asi que guay, no?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

colorimetría I

- Oye, chico, para dónde se fue nuestra cuba? - La nuestra? Dissipou-se por todas as pessoas e os lugares pelos quais passamos. Agora me resta essa luz azul quase matinal quase moonshine (que vc conhece bem) e que está iluminando este papel no qual escrevo com uma caneta que qua- se não risca mais. O morro dos carneiros, la mañana y mañana, hoy día, a lua, o cristo. Tudo brilha. Exceto a cuba que você fez questão de transformar em carbono puro e 2 de água (C2H2 + O2 → 2 H2O + 2 C) mas whathehelli'msayingnow, eu sou apenas uma cadeia de carbono complexa, tão complexa, mas tão complexa (Alcanos, Alcenos, Alcinos. Proteína, reconhece?), que você não faz a menor idéia. NESTA SEGUNDA-FEIRA AZUL NÃO VAI MAIS CHOVER - INT.?EXT.? eu o digo porque agora vejo a melhor vista de hoje. o branco fica mais azul e o meu vermelho mais lavado. Pero la luna shines like god, the concrete god, neste céu azul-lavado de umidade; maresia no céu matinal do rio de janeiro donde Cuba, Cuba mía!, há de acostarse.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Sábado. Praça XV de novembro. Um belchior me deu um maço de cartas. Papéis manuscritos e datilografados. Depois eu perguntei quanto lhe devia. Ele disse que não tem preço. Às vezes os adeleiros sabem que os resíduos, as coisas arruinadas que comercializam, são valiosos demais para terem algum valor. O intercâmbio dos objetos descartados, abandonados e obsoletos, não é, para muitos deles, o gesto de reinvestir esses objetos na lógica capitalística. Um homem e uma mulher trocaram muitas correspondências. As primeiras são de quando ela está de partida para Montevidéu. Ela pergunta por que, necessariamente, precisamos usar palavras tão áridas para ainda reiterar o difícil? Por que tem de ser difícil? Ainda não sei o que os levou a escrever. Quem eles são ou o que significam, um, no outro. Depois, em 1979, só há cartas dele. Ela calada, o misterioso silêncio não o aflige. Ele remeteu muitas vezes ao mesmo endereço em Santiago del Chile. Quando ela finalmente voltou a lhe escrever, em 81, ela conta que já não tem a remington e que jamais voltará a escrever à máquina: você acompanhará o tremor avançar sobre minha caligrafia.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

souvenir

ainda ontem, fazendo a visita costumeira à barraca da Lílian, me deparei com um achado especial. tudo bem que a barraca dela é repleta de tesouros e achados especiais, mas esse realmente me chamou atenção. me namorou... abri sua capa de celulose e tecido, folheei suas páginas de bordas douradas(como ñ se fazem mais), li seus pensamentos e poemas. vi suas fotos, e em uns 15 minutos já sabia de sua vida. ou imaginava saber, pelo que tinha em mãos. a feira da Praça XV é muito mais que uma feira. é um museu à céu aberto, o museu da intimidade e história alheia...um grande mercado de memórias(materiais)descartadas. uma fonte de poesia urbana, de ontem e de hoje. e toda vez que percorro meu olhar sobre todas as miúdezas e grandezas que compõem esse cenário confuso, sempre me vêm a sensação - ou talvez desejo contido - de que vou encontrar alguma memória minha lá. no fundo, alimento uma esperança estéril e surreal de que vou encontrar todos os objetos que um dia me pertenceram, que se perderam, e que ainda me são caros. porque me lembro deles. permaneceram na lembrança, como memória. de que no meio de tudo aquilo vou achar o pingente perdido que meu primeiro amor me deu. ou o lenço de minha avó que foi roubado. ou a foto de algum antepassado que desconheço ou que não me lembro...se não me lembro, não é mais memória, nem mais me pertence.
17 de maio de 2009.

“segundo poema todo teu”

entra na casa, esta casa onde, por tantas vezes, entraste sem perceber e, cada vez mais dentro, saías de vez, mas agora não sabes mais como sair – olha bem os móveis, sente o peso das horas que, pela primeira vez se apresentam arreganhadas, feitas de tecido sem graça, soma de farrapos – mas olha bem. não serão mais tuas estas horas, as paredes te dão as costas, as portas de correr emperram, estás sozinho onde tantas vezes disseste a ti mesmo: “estou completamente sozinho”. mas agora que estás, então não dizes nada. percebes o ridículo: falas na segunda pessoa. espera um pouco à porta, não olhes para dentro do quarto pequeno, onde te espera à toa o corpo. o ventilador roda noutra direção, e ali está ela, que espantava as hienas e falava com mil sóis. não te diz respeito o lugar para onde tantas vezes fugiste sem pés de uma realidade seca, infame. adeus ao quadro de Chagall, ao homem flutuante em frente à Torre de Paris, adeus, Neal Cassady, Kerouac, que primeiro te ensinou o abraço e, acima de tudo, adeus aos braços, que se abrem murchos para uma nova vertigem seca, sem pulo. de costas para o muro ficas parado, voltas à porta: não há mais porta, os caminhos se afunilaram em gargantas abertas por navalhas de ferrugem. não serão mais tuas estas horas e, em breve, não serão mais tuas estas lembranças, nem tu serás mais de ti mesmo, pobre órfão fugitivo. ficaram algumas marcas de amor pelo chão, agora ficam aqui lágrimas irreconhecíveis, sabe-se lá de que são feitas, mas escorrem como tudo o mais escorre para fora, adiante. adeus incensos baratos à meia-noite pálida, adeus às cortinas prateadas que escondiam um segredo só nosso, e nem mesmo nosso. adeus cigana de tantos dentes – diga adeus. adeus Elis Regina, pintada por Andy Warhol. adeus mesa feita de um antigo baú, adeus, bares de esquina, cartas invisíveis de amor, viagens não realizadas, concretizadas na cama, até um dia bairro de Laranjeiras, vinho chileno, adeus à toda intensidade da carne crua cansada. “o mais profundo é a pele”, você dizia imitando Paul Valery, mas agora adeus Paul, adeus pele. ela que se encolhe agora na cama, sonhando com tempos talvez mais leves, mas, meu amor, se a vida não foi leve para nós, foi por dádiva, porque somos os que podemos agüentar o peso, somos os beneficiados com o espanto e a cura. principalmente, agora, adeus manta africana, com que ela te recebeu pela primeira vez, jogando em seguida a chave pela janela. aqui está a chave sobre a mesa, e dos dois restou um livro de poemas, um livro médio, um poema só dela, dos que fazem chorar, e a chave do peito, essa que não devolverás, essa que de tanto abrir e fechar fez carne viva do que antes chamavas miséria, mas agora chamas primeiro grito, susto que não se diz, e não falarás mais nada, apenas amarás a ela em preto e branco, como nos filmes antigos. l. marona

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Guerín - Yo siempre digo que intento adoptar la mirada de un viajero y no de un turista que sería la negación de un viajero. Hasta este momento cada película mía iba asociada a la idea de un viaje y además era consecuencia de un viaje. Siempre he creído que la mirada del viajero es más sensible, que la cotidianeidad tiene algo terrible de alineación, que no te deja ver lo auténticamente revelador de las cosas. A fuerza de cruzar tu calle diariamente acabas por no verla sin hacer una abstracción de ella. Cuando viajas, por lo menos a mí me sucede eso, a menudo en cada esquina, en cada calleja encuentro motivos reveladores, singulares. Muchas veces lo más satisfactorio de hacer un viaje es que al regresar te obliga a reinterpretar tu propia calle. Es por ese motivo por el que intenté adoptar la mirada de viajero para rodar En Construcción. Es la primera vez que filmaba mi ciudad. Sin embargo la elección, por ejemplo, del sector de la construcción me resultaba más atractiva porque está formada esencialmente por gente de fuera. Incluso la elección del barrio también porque es un barrio de inmigrantes. Yo al principio me hice una maleta y me hospedaba en hostales del barrio para vivirlo así como el viajero que llega a un lugar y necesita servirse de distintas lecturas de ese barrio. Y a veces me imaginaba como podía percibir ese barrio el marino que venía a recalar aquí, porque este barrio está configurado en torno al puerto, en torno a la necesidad de los marinos de tener prostitutas, bares, animación... ahí se fue gestando el barrio chino. Intentar visibilizar, soñar el barrio cuando era sólo el monasterio de Sant Pau que está frente a la obra que filmé y cuando todo el barrio eran los huertos de esos monjes. En fin, tratar de sumar muchas imágenes que habían construido el barrio. Una película para mí es un largo y sinuoso camino de conocimiento del que al final no queda prácticamente nada en la película. Pero ese trayecto inicial para mí es importantísimo: Y siempre tiendo a pensar que algún sedimento de todo eso queda. Me gusta ver una película también como una forma de conocimiento. Esa expresión tan bella de Truffaut, un cineasta debería tout savoir. Un cineasta debería saberlo todo. Es inabarcable, pero en cuanto acotas un pequeño ámbito de tu película intentas conocer el máximo de cosas al respecto. Con mi equipo formado de estudiantes leíamos libros de arquitectura, veíamos películas, entrevistábamos a paletas, electricistas, obreros, vecinos, arquitectos... Nos relacionábamos con esa realidad desconocida.